terça-feira, 8 de junho de 2010

Suicídio

Dezesseis comprimidos. Eu tremo levemente, sem perceber.
Estou cansada.
Esta conflagração é bela, páginas em chamas. Um diário aberto. Eu irei morrer antes que alguém leia estas palavras.
Queimando nas cinzas negras, tão intensamente vazias, violentamente perigosas. A morte é minha honra.
“É uma surpresa”
“Mas é ruim?”
“Eu acho que você irá gostar”
Eu sorverei todos os nossos pecados.
Não posso mais perdoar, isso é uma punição. Eu me responsabilizo por todos os meus feitos.
Todos vocês, não desejam isso? Vai ser tão bom.
Coloco um atrás do outro. Será que eu irei morrer? Estou queimando em granizo.
É isso, eu apenas irei fechar meus olhos.
Adeus.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Vidro.

O tempo se esvai a cada passo em sua direção. Se eu correr de volta, posso esconder tudo isso.
A partir do momento que eu admitir, isso se tornará verdade.
Quanto tempo vai levar para que isso destrua minha mente?
Eu não quero mais. Pode quebrar, como se fosse vidro, e dos cacos, faça diamantes. Meu coração é mais bem usado assim.
Eu não preciso disso. O abismo é um alivio. Não olhe parar mim, eu estou implorando para que não me incinere.
Eu acredito no amor, e em todo o tempo que eu passei olhando pelos cantos, mas...
A cada passo de eu dou, eu paro de respirar. O sangue não para de escorrer, mesmo sem os cortes, eu estou rasgando.
Eu estava bem, e eu quase consegui. Por que tem que doer?
Novamente, apunhale meu coração. Isso acabou.
Esse coração feito de vidro, bate forte enquanto se racha, seus cacos chovem sem fim. Ainda há pulsação nesses pequenos pedaços que caem.
É dolorido pensar nos dias em que eu estive aqui.
Sem você, eu teria ido muito mais longe...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Primeira Vez.

As arvores eram sombras diante dos meus olhos, o gosto amargo do vento batia sobre meu rosto. Meus pés balançavam, o all star branco estava sujo. Minhas lágrimas escorriam pelas minhas vísceras. O amor destruído serpenteava sobre meus dedos. Uma arma de brinquedo na minha mão.
Sua blusa branca e sua bermuda preta. Eu enrolei meus dedos nos dele. Era tão frio.
Feliz aniversário.
Ele tomou minha mão.
Um beijo roubado entre as ruas movimentadas da cidade. Eu tremia tanto que acabei mordendo minha língua.
Agora sinto o gosto da morte, o tênue gosto de halls preto que estava na sua boca. Tão doce quanto as ultimas palavras ditas.
Morrer não dói. Os humanos machucam.

Apodreça.

Nosso valor coberto de injúrias. As palavras que machucam, cortam nossas línguas, congelam entre nossas bocas.
Não tem sentido esconder toda essa dor. Eu sinto, você sente. Eu não me arrependo de nada.
Estou próxima de encostar minhas mãos nestas cicatrizes.
Eu desejei encontrar todo meu mundo dentro de um sorriso. Mas não percebi que ele era apenas uma alucinação. Um sonho que transborda pelos meus pulsos.
Pode me escavar o quanto quiser. Pode lamber minha clavícula e enfiar a espada entre meus gemidos de dor.
Abraçando meu corpo, você nunca parou para escutar minhas palavras.
Minha voz está tão morta quanto tudo que eu deveria sentir. Oscilando entre o meio fio e seu corpo, eu dou a volta escondendo meus lábios.
Agora isso se repete.
Tocando como uma musica invertida, todas as mensagem que eu mandei, você cuspiu no meu retrato, e eu ateei fogo em todas as minhas cartas.
Demônios trancados dentro do meu armário. Milhares de moscas saem quando você abre a sua boca.
Manto negro de maldições, sobre esta testemunha eu juro que aqui está o fim. Meu apocalipse se debate entre algumas quadras de distancia. Eu nunca disse que o meu era incontável.
Eu posso dividir estas palavras em silabas, posso dividir você em quatro pedaços. Dois que eu amo, dois que eu odeio.
Ah, isso precisa ir.
Desapareça, rasgue, se enforque. Nos meus sonhos você estava morto.
Apodreça dentro do meu coração.

sábado, 8 de maio de 2010

Amor em pedaços.

Vou escrever milhões de poemas, para jogar ao vento. Por que estas folhas rasgadas são minhas falhas. E estas palavras, não queimam.
Todo o frio que eu tenho, eu roubei de você.
Me coloque amarrada em sua cama, com os outros corpos pútridos, estupre-me, mas pare quando eu disser as duas silabas.
Eu disse que seria preto e branco, e você abriu meus olhos, e arrancou todas as cores. Jogando pela janela. Eu deveria ter dito que sim, quando me perguntou.
Eu sei que você olha para minhas costas quando eu me afasto.
Seus sentimentos devem ter cambaleado, o suficiente para cair ao chão.
Nossas sombras entre as lápides, aqui jaz o nosso amor.
O som dos meus gritos é proibido nas suas memórias. Eu nunca falei sério.
Tempo parado, interrompido por nossas carcaças no banco. Eu vejo minha infância, você vê sua tristeza. Era tudo nosso.
É tão deprimente, e meus suspiros são tão longos.
Certamente, algum dia você irá entender por que eu preferia a madrugada.
Quando eu olho para você, eu vejo este abismo. Minha escuridão e a sua, elas nascem juntas.
Somos aqueles que tem o coração acostumado a ser perfurado.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Palavras.

Tão insignificante escondido entre meus olhos.
O desejo de tocar, do outro lado da noite infinita, onde minhas mãos não alcançam. Não há ninguém aqui.
Quando estava dormindo ao meu lado. Eu acariciei seus cabelos, e desejei que estivesse.
Rasgando entre duas mãos, eu encolho meus ombros. Você não me olha de volta.
Eu não tenho asas para voar, e não consigo mais lembrar do gosto das nuvens.
Agora estamos olhando para um só céu. Mas vemos coisas diferentes.
Me desculpe.
Se eu tivesse morrido, eu jamais teria me sentido tão triste.
Você não sente o suficiente para chorar por mim.
Esmague minhas palavras, com seus punhos, e uma gota de cobre, manchando minha boca.
Minhas mãos frias, como deve ser sua voz, cortando meus braços. Abra fogo entre minhas necessidades.
“É incontável”, toda a destruição que está aqui.
“Perfeita”, harmonia entre a lamina e sua língua.
Outra vez, olhe para isto.
As lágrimas correm pela minha face, queimam no seu pensamento. Sombrio e distante, não pude colocar minhas esperanças para fora.
Suas palavras cortaram minha garganta, atravessando meu coração que se rompe.
Eu sei que minhas lágrimas não significam nada para você.
Agora você sente que, deveríamos nos acostumar a estarmos sós.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ruptura.

Cinco apunhaladas, está ficando frio.
Uma pessoa de baixo da escada. Suas mãos na minha cintura. Um raio de sol bate na janela do seu quarto. Isso não poderia conduzir seus sentimentos.
Coloco-me nessa linha, quebrando todo o barulho com o silencio gritante. Eu só quero dormir um pouco. Abrace-me antes que o sangue caia.
Eu olho para seu rosto, sem imagem, petrificado diante de mim. Eu tinha medo nos olhos e você nem pode perceber.
Não há mais nada a ser dito, emanando o desespero, eu despedaço minhas palavras.
Repetindo as mesmas coisas, todos os dias. Se você soubesse.
Voe alto, amor. Ilumine todo esse céu. Com um sorriso, você vai derreter os corações.
Eu posso dizer que te amo. Mas isso nunca será o suficiente para nós dois.
Quero que sinta os batimentos do meu coração. As ondas do lençol branco. Minhas lágrimas cariam por que eu já sabia.
O momento em que eu fechei os olhos, meu corpo se liquefez, e eu não pude mais suportar. Nada é perto o suficiente.
Está tudo bem dês de que você não esconda. Eu quero ver seus sonhos coloridos.
Eu disse uma mentira, e finalmente estou desistindo. Rompa isso.
Agarrando sem hesitar, meus pulsos não significam nada. As verdadeiras cicatrizes são estas dentro dos meus olhos.
Todas estas pétalas estão derramando dentro de um coração em chamas. Só bastava você perguntar.
Até onde este sentimento vai?
Nunca mais irei mostrar meu verdadeiro eu para ninguém.
Estamos um pouco desorientados não acha? Ou muito rápido, ou muito devagar.
Mesmo quando eu disse que iria quebrar, eu sentei no chão e chorei. Você só disse que eu deveria “crescer”.
Vou colorir tudo, e se você não quiser, pode soltar minha mão.
Todos nós temos que chegar ao fundo, para sabermos que precisamos de amor.



Dedicado para meu ex namorado.
Escrito algumas semanas antes de nós terminarmos.
"I love you forever, that's the problem."