quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vê minha alma?

Propagações perfeitas das sombras nos meus olhos. Negro, eu estou tão aliviada.
Quero esconder minha alma disforme. Estas marcas escuras dentro da minha boca.
Belas manchas formadas. Eu quero me lavar. Me deixem entrar na água. Isso foi só um terrível pesadelo.
Eu perdi algo, e nenhuma mancha vai cobrir esta falta. Era algo fragmentado.
Cor da vida, eu só quero retornar aos céus claros.
Eu nunca mais vou tentar substituir você.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Jardim secreto.

Eu tenho lembranças, desenhadas no caderno que queimei. As barras congeladas, vermelhas, brancas, amarelas, todas tem a cor do céu em algum momento.
Esta terra em escombros, enquanto as crianças não vem.
Eu esperei alguma palavra, qualquer sinal vital, no silêncio entre nós dois. Eu corri por entre as árvores, aquele lugar abandonado. Todas as flores, por que alguém se daria o trabalho de colhê-las? Seriam todas minhas ilusões?
Seus pensamentos, são exatamente o que eu mais temia, eu me decepciono tão facilmente. Agora jamais seremos verdadeiros.
Alguém irá sorrir quando eu mostrar meu ramalhete de flores. Algum dia.
Todos os dentes de leão, nasceram para alguém os desprezar. Eu não irei pisar neles. Existe algo tão incrível nisso. Ninguém enxerga minhas trevas.
Durmam no solo abandonado, esperando pela primavera. Muitas flores ainda nascerão para serem abandonadas. Não vocês.
Frias e dançantes, gangorras onde eu me sentei. Assoprando meus desejos. Novamente sem quebrar.
Eu não compreendi, será que eu nunca notei isso? O relógio parou naquele dia.
O que resta no final, seria apenas frágil. Não tenho palavras melhores. Acredite em mim.
Não vamos chamar a esperança, ela jamais floresceria a tempo. Não diga nada do que não entende.
Fique quieto. Eu jogaria alto, eu sofreria por algo, se a dor fosse sentida mais rapidamente.
Cores desaparecem, o céu se apaga, radiante ofusca. O azul parece estar preso na tela que eu desenhei você.
Eu olho para o que não pode ver. Certamente acabou.




Me desculpe Paulo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Eu te amo.

Arranhei meu rosto, seguindo o curso dos meus versos. Este ritmo impermeável.
Maldição vaga. São apenas repetições dos mesmos dias. Desculpe-me por não ser sua queridinha.
Mesmo que o fluxo de sangue seque, eu não vou esquecer. Meu sorriso estará estampado quando você achar meu corpo.
Isso é incrível por ser um amor tão comum e imutável, mas eu não gosto de soletrar esta palavra. Eu deixarei tudo aqui. Haverá um tempo em que você se lembrará dela.
Vou realizar seu sonho, papai.

sábado, 7 de agosto de 2010

Alma em coma.

Eu tenho esquecido de tudo, calma e leve, debaixo do emaranhado dos meus pesadelos.
Eu me odeio em uma noite como essa.
Quanto tempo eu tenho perdido nisso? Corando levemente com olhares, me escondendo no escuro. Eu amaria estar em outro lugar, jogar com outras regras. Sussurrem e me deixem sozinha novamente.
Isso chega a algum final, pesadamente, caindo e respirando, eu sei que vou desabar em prantos novamente.
Esta dor é tão real, respirando por mim.
De alguma forma, eu tenho compreendido isso, mas eu não quero conhecer isto. Verdade incerta.
Chega até mim, andando de mãos dadas, eu estou esperando alguém chegar.
Durma bem esta noite em sonhos confusos.
Eu me detesto por estar respirando.
Esta é a ultima contagem, caindo suavemente em pó. Observando casualmente, tentando encontrar palavras que apenas me machucam.
Mas eu sei que jamais me deixaram ir. A morte é boa, mas e quanto aos outros?
Eu preciso disso para sobreviver, então me digam. Me deram tudo, menos um motivo para viver.
Piscando, roubando todos os sorrisos e fazendo-os meus. O que eu sou? A tanto eu já me perdi.
O dia começa com um sentido distorcido. Nunca amanhece aqui?
Tão longe da verdade.
Eu sou um nada para todos eles, tão boba e errante, tão frágil tentando controlar estes impulsos. Descontrolada caindo pelos cantos.
Eu queria ser como vocês, caindo no chão frio, me deixando a sós comigo mesma.
Eu queria ser como você, vivendo em um nada tão cruel, tão fácil de lidar com tantos sonhos tolos e tantos prazeres mundanos.
Mas só isso e eu já te conheço? Rosto distorcido.
Afirmem que isso é um pesadelo, apenas vá embora, antes que eu caia no sono. Eles todos me disseram, eu deveria acabar com isso. Todas estas vozes que não me deixam dormir.
Eu estou tão cansada. Cortes debaixo dos olhos. Mãos tremendo gentilmente.
Induzido, meu coração tem começado a parar.
Meu pensamento, correndo livre entre meus cobertores, correndo livre no asfalto e nas mesas enfileiradas.
Eu necessito saber mais sobre isto.
Deveria esquecer, pois se eu não acredito, jamais existirá. Nos meus sonhos, podemos?
Faz tanto tempo que eu não sei o que é sorrir.
Abro os olhos e é o inferno que eu vejo novamente, eu pertenço.
Protegendo de tudo. Faíscas cinzas caindo pelos meus olhos. Todos os murmúrios do meu coração.
Finalmente eu sei, eu tenho que ver tudo morrer.
Que as noites que eu possa ser ferida se passem. Todas as datas, eu tenho marcadas no meu caderno. Apenas não hoje.
É doloroso, doente no sol, morrendo por algo tão passageiro. Novamente me deixando, como você sabe? Eu nunca disse.
Todo mundo pode ser esquecido com um sorriso. Despencando, distorcendo a palavra “felicidade”.
Saiba, nós todos nascemos sós.
Eu não posso gritar mais.
Correndo por um futuro, apenas cegos. Sentados no banco do shopping, sonhos muito mais brilhantes.
Derrame o vazio. Eu ainda estou dentro de todos eles.
Olhos vagos, quebrando sem sentir ao menos uma lágrima.
Deixarei tudo isso em ruínas.

Navalha.

Sangue. Alma. Corroa, rasga, grita.
Entre os dedos, no banheiro, têmporas e pulsos.
Imperceptíveis.
Não conte a ninguém, é socialmente inaceitável que eu expresse minha dor.

Plástico.

Os dias que passam são sonhos secos, cobertos deste doce lampejo que vejo passar diante dos meus olhos.
Dor e agonia, quebra meus ossos, quebra minha alma. Doces palavras em doces desejos.
Não diga que me ama.
Sou uma falsa moralista, tão corrupta, como desejo, acontece.
Enquanto não tiver nenhuma palavra de paixão venha até mim. Desculpe por ser tão insensível.
Não, ninguém me fará viver para sempre. Algo que jamais mudará, mesmo mergulhado nas tuas estrelas, um brilho eterno.
Mesmo assim, permaneça vivo.
Quanto mais perto estou da destruição, mais longe está seu rosto.
Eu sou tão fria e plástica, com olhos feito vidro, boneca vazia por dentro, um beijo doce irritante.
Eu estou morrendo rodeada de palavras colorindo o céu. Quantas noites eu terei para viver?
Mesmo machucada, triste, eu me reergo, eu serei mais forte do que a vida. Eu prefiro a morte. Isso é uma promessa.
Eu me odeio de mais, desculpe por ser tão emocionalmente masoquista.
Eu costumava pensar que com um sorriso, qualquer coisa poderia ser salva. Por que neste quarto vazio, minhas lágrimas não jorram mais. Nem tristeza, nem felicidade.
É meu nada que corrompe tuas veias. Meu vazio é tão cativante.
Escorregue para dentro, preenchendo o buraco negro, eu quero ver você tentar, como todos os outros, para afundar dentro do meu ser. Nada muda, nunca.
Por que meu corpo treme?
Por que meus olhos não focam?
Eu repito suavemente as palavras murmuradas, lentamente, meu sorriso desparece.
Tudo bem se eu amar você, nesta noite trêmula?
Seu rosto se torna nebuloso.
Ecoando, gotas de chuva caindo como agulhas, sentados no parque. Noite de outono. Não vamos esquecer este instante.


P.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Madrugadas.

Maquiagem borrada, a mente que suja, uma cena tão tranqüila, vomitando nos arbustos.
“Ahn, mais rápido”, a dois com você, dando risada na silenciosa noite.
Neon.
Meu berro ecoa, eu abraço todos os pecados imperdoáveis. Isso alcança agora?
Meu coração, a musica, a voz, sua boca, eu nem sei seu nome.
Um ao outro, até ficar maluca. Destrua mais.
Eles estão sempre mudando, então quantas memórias e rostos, eu posso guardar?
E agora, eu estou fitando meu olhar, sem mudar nada.
Se eu fechar os olhos, eu quero segurar meu corpo desaparecendo.
Dançando na brisa, estou me envolvendo na luz.
Sem sequer compreender o significado das lágrimas, eu não vou derramar mais, a fim de lavar para fora todo o meu pesar.
Em alta velocidade, sinalizando, brilhando com a corrente cintilante. Agora é a hora do jogo, você tem as mãos no meu peito.
Eu tenho isso bordado no meu rosto.
Tremendo a luz é apagada. Triste alma, dolorosos sonhos, me mate de tanto prazer.
Se for, não me acorde mais.
A mente percebe, as roupas são jogadas.
Mate as estrelas, todo esse liquido descendo pela garganta, queimaduras de cigarros e amores rápidos.
Beba mais um pouco para se sentir bem.
Isso parece certo, bebidas baratas, tome mais um pouco para se sentir bem.
Gema, meu bem, grite, goze.
Eu não necessito de outras palavras, eu posso ver um outro mundo nessa camizinha usada.